Banda Flowers tocando na entrada do bar Flor Amorosa (Galeria Souk Marrakesh / 1992)
Essa banda foi uma das que eu mais assisti em Uberaba no início da década 90, os caras tocavam em todo lugar que tivesse uma festa. O primeiro integrante da banda que conheci foi o Waldemar e já contei essa passagem na postagem sobre os anos 90, o Waldemar foi a primeira pessoa que toquei junto num palco aqui na cidade em uma jam. Um dia ele me chamou para ver a banda Flowers na galeria Souk Marrakesh e fui lá conferir, era um festival com algumas bandas entre elas lembro da banda Rosa Negra, lembro de estar bem na frente do palco quando eles entraram e fiquei impressionado com as músicas que eles estavam executando, lembro como se fosse hoje o vocalista Blênio com um copo entre a boca e o microfone cantando “No Quarter” (Led Zeppelin) e a banda fazendo uma puta sonzeira com aquela música, estava muito pesada e bem tocada a versão deles, na sequência os caras mandaram “Aqualung” (Jethro Tull) e por aí foi o repertório, fiquei fã na hora da banda e lembro que passei até a curtir mais a cidade depois desse dia.
Dali pra frente comecei a ir em qualquer show que tivesse a banda Flowers, era bebedeira e diversão garantida no show deles.
Claudão em 1989 tinha uma banda com amigos até conhecer o guitarrista Waldemar que foi escalado para juntos montarem uma banda. No início nem instrumentos tinham, apenas violões, tinham que pegar emprestado para ensaiar, só o baterista Gilsinho que tinha a sua bateria.
Com o passar do tempo conseguiram ter os seus próprios instrumentos e todos os três ingressaram na faculdade de direito, os ensaios nessa época eram muitos, mas as apresentações ainda eram raras, sendo que a estréia da banda foi em uma festa de 15 anos da irmã do Gilsinho e ainda algumas apresentações no München.
Waldemar e Claudão apresentando em Catanduva/SP com a banda Flowers
Claudão nos conta como começou a aparecer a formação definitiva:
“Passada esta fase o Gilson caiu fora da banda e eu e o Waldemar conhecemos uns caras numa república que gostavam muito de som e onde começamos a ensaiar devido a poder naquele local varar a noite tocando e tomando todas”
“ Nessa época de muita cachaça e de muito som, o nosso baterista era o Ítalo, um autêntico Charlie Watts (baterista dos Stones), e como o Waldemas também era aficcionado nos Rollings Stones a banda Flowers estaria ali surgindo com este estilo”
Blênio e Claudão
A banda começou a fazer bastante cover dos Rolling Stones e num desses ensaios um dos moradores da república mais conhecido como Blênio também era Stones maníaco e resolveu dar uma palhinha em uma das músicas, foi convidado a ficar na banda.
Flowers no interior de São Paulo, junto com eles na foto o Jonas irmão do Ítalo
A banda pela segunda vez ficaria sem o baterista pelo fato de Ítalo ter se formado e voltado pra cidade dele. O nome da Flowers estava se firmando bem nessa época, rapidamente tiveram que arrumar outro integrante para as baquetas e para esta função ninguém menos do que o lendário e excelente baterista Majaca para preencher a vaga.
Com a entrada de Majaca a Flowers continuou sua trajetória e foi com essa formação que vi shows inesquecíveis da banda, o blues foi inserido no repertório e o quarteto estava mais entrosado que nunca.
Na mesma época gravaram uma demo pouco divulgada com o material próprio da banda.
Majaca atualmente
Após essa gravação entrou um gaitista chamado Cristiano que também tocava guitarra e a banda começou a se apresentar muito nos bares de Uberaba e inúmeros locais na região de Minas e interior paulista.
Cristiano
“ A Flowers chegou no auge a tocar duas vezes por semana com um cachê por show em 1993/1994 de R$ 500,00 (equivalia a quatro salário mínimos de hoje) mais dois litros de Jack Daniel's. Realmente era muita grana pra uma banda independente na época, só que nossa maior preocupação era de somente nos diveritr e nós divertimos muito naquela época”. (CLAUDÃO)
Show com as bandas Flowers e Nuts na chácara Edward Ranch 1995
Nas apresentações tocavam 80% de cover, inclusive uma versão das mais inusitadas e criativas de “MINHA MENINA” DOS MUTANTES que já ouvi e 20% de som próprio, que muitas das vezes ninguém prestava atenção se os sons eram deles mesmos ou eram covers, tão bem feitos eram os covers, era o que o pessoal queria ouvir deles.
Claudão / Blênio / Waldemar
Em 1994 entrei na faculdade de odontologia e Blênio estava formando no mesmo curso e com planos de sair do Brasil. E realmente isso aconteceu e foi o fim da banda. Anos mais tarde reativaram com o nome de “Flowers is Dead” e ainda vi um show no bar do Braz.
A banda se desfez quando o rock autoral começou a despontar na cidade com a chegada do Rock’n’Street. No ano de 1995 Blênio se formou e foi embora, a banda acabou, se dissolveu. O Waldemar, o Majaca e o Cristiano tentaram levar ela para frente com outro nome , “Flowers is Dead”, mas pouco durou com esse nome.
Claudão no Cine Teatro Vera Cruz com a banda Adahun em 2009
Claudão nos deixa suas palavras sobre a banda Flowers:
“Penso eu que a Flowers foi uma banda razoavelmente tosca mas essencialmente natural e honesta. Com caras que faziam o que gostavam, totalmente rock’n’roll visceral, e que deu um gás e ainda abriu espaço para que surgissem mais bandas e que estas também tivessem espaço e respeito.”
Realmente a banda Flowers abriu muito espaço para as bandas que surgiram de 95 para a frente e fizeram a alegria de muitos rockeiros e universitários nas festas uberabenses da época que eram regadas de muita bebida, drogas e mulheres bonitas, lembro que assistir a um show da banda em uma república era voltar na década de 70, rolava psicodelia e substâncias lisérgicas mesmo. Uberaba ainda tinha muita poesia na noite, bem diferente dos dias de hoje, adoraria voltar no tempo e ver mais um show da banda Flowers.
Após o término da banda Flowers, o baixista Claudão ingressou na banda uberabense Nuts para trabalhar composições próprias, o guitarrista Waldemar continuou a fazer seu trabalho na noite tocando muito rock'n'roll e blues para o público uberabense, participou de uma banda chamada Equales Band de composições próprias, inclusive existe um registro na coletânea Rock'n'Street.
O vocalista Blênio foi para Jaraguá do Sul/SC e ingressou para a banda de blues Urublues http://cpdorock-pincel.blogspot.com/search/label/urublues, o baterista Majaca idealizou o projeto de tambores com meninos chamado de Axé Uberaba e também participa de apresentações de artistas uberabenses.
Nesse ano no mês de março se reuniram novamente com a banda Flowers em Carmo do Paranaíba, cidade onde Blênio mora atualmente para comemorar os 40 anos do vocalista. Colocarei algumas fotos do dia:
Claudão e Blênio atualmente
Banda Flowers novamente juntos para comemorar o aniversário do Blênio em 2010
Blênio
Salve Claudão, Waldemar, Blênio e Majaca, assim como os Stones vcs fizeram as pedras rolarem por aqui, Valeu !!!!!
Formação clássica da banda Flowers: Claudão / Blênio / Waldemar / Majaca, ainda na foto Ana Cláudia (esposa do Claudão)
Colaborou nessa postagem Cláudio Costa Neto "Claudão"
Conheci Mozart Lacerda no início da década de 90 quando ele ainda tocava na banda Rosa Negra, montamos uma banda com Paulinho Trida, Marquinho e Capucci, não durou muito tempo ficando apenas nos ensaios. Mozart sempre foi um baixista acima da média e tocava sempre com a banda Kelps na galeria Souk Marrakesh nos finais de semana, logo depois teve outra banda chamada Cia. do Som.
Mas foi na banda Nuts que deixou registrado seu baixo de maneira criativa e original. E foi através da postagem da banda Nuts que eu e Mozart nos reencontramos depois de longa data. Trocamos e-mail e ele me envia um texto dele feito pra coluna que ele escreve todos os domingos no Jornal da Manhã.
Prof. Mozart Lacerda Filho
O texto em questão foi publicado domingo passado "Dia dos Pais" 08/08/2010 e quero agradecer e deixar registrado aqui que fiquei muito sensibilizado com as palavras de Mozart, porque além de fazer tanto tempo que não tínhamos contato o cara é um estudioso em história, Mozart tem graduação em Psicologia e História pela Universidade de Uberaba, especialização em HIstória da Filosofia pela Universidade Federal de Uberlândia, Mestrado em História pela UNESP-Franca e atualmente é professor da Faculdade Talentos Humanos, onde trabalha nos cursos de Direito, Administração, Ciências Contábeis e Sistema de Informação e do Colégio Cenecista Dr. José Ferreira, onde exerce atividades de coordenação e ministra a disciplina de Filosofia. Tem experiência na área de ensino de Filosofia e História, com pesquisas nos campos de História Política Brasileira no século XX. Atua principalmente nos seguintes temas: História Local, História Oral, Golpe Civil-Militar de 1964, Movimento Estudantil, Organizações de Esquerda. Trabalha também nas áreas de recursos humanos, criatividade, psicologia e atendimento ao cliente. Desde julho de 2007, assina uma coluna dominical no Jornal da Manhã.
TEXTO QUE SAIU NO JORNAL DA MANHÃ:
Texto Mozart
Quero aproveitar a oportunidade e divulgar aqui o blog do meu amigo Prof. Mozart Lacerda Filho, o nome do blog é: "QUEM TEM MEDO DA HISTÓRIA LOCAL?", eu já estive lendo uns textos e achei muito interessante. Se você curte a história local ou simplesmente tem curiosidade em saber algo acesse: http://historiadolocal.blogspot.com/.
Bom domingo a todos e quero dizer que a postagem sobre a banda Kreddo me surpreendeu e foi muito elogiada na minha caixa de e-mails, logo retornarei postando as bandas da década de 90.
Começarei a postagem sobre essa banda com o próprio Manu (baterista da banda) nos contando como foi o início da mesma no páginas vazias zine 13:
“Em uma ida minha a Araxá, encontrei novamente com Jorge Clapp, o popular Jorginho (guitarrista) que após o fim da banda Hipnosys também estava sem banda. Para a segunda guitarra chamamos o Édson que também era ex-Hipnosys, e por sugestão desse veio o Marcão (da banda cover Peixe Piloto) pros vocais. Só faltava um baixista e o posto foi ocupado por um uberabense, o Maurício (Krofader, Angel Butcher) que apesar de ser guitarrista aceitou fazer parte da empreitada.”
NUTS: Maurício / Marcão / Édson / Jorginho / Manu
“A nova banda começava a ensaiar no início das férias escolares, mas ainda faltava o nome. A solução veio com o Sr. Jorge Clapp, pai do Jorginho: “Vocês são todos loucos mesmo, chama a banda de Nuts!. Era dezembro de 1992”
Na primeira semana chamaram a banda de Dust Nuts, mas logo voltaram com o mesmo nome.
Nota: A palavra Nut (noz em inglês) tanto pode significar a castanha como uma gíria de rua para chamar alguém de louco. “Are you fucking nut?
“A Nuts no início era basicamente uma banda thrash metal não tão rápido, que cantava em inglês e flertava com o funk’o’metal de bandas como Mordred, Scatterbrain, Scat Opera...” (Manu Henriques)
Os ensaios da banda aconteciam em Araxá num chalé na região do Hotel do Barreiro, foram dois meses de ensaio direto, nos primeiros ensaios a Nuts só tocava covers de bandas como Suicidal Tendencies, Anthrax e Head’s Up. A primeira composição se chamou “24 Hours” , um thrash com letra do Manu e música do Jorginho. Nessa época as primeiras saídas de integrantes da banda aconteceram, saem Marcão (vocal) e Édson (guitarra) e pra segunda guitarra e vocal é escalado mais um uberabense conhecido como André Cabelo.
Maurício / André Cabelo / Manu / Jorginho
André Azevedo "Cabelo"
Rua Leonor Borges de Carvalho (Uberaba), esse era o novo endereço de ensaio da banda Nuts, Manu nos conta onde e como eram os ensaios:
“O André morava com os pais e tinha um quarto nos fundos do quintal, cheio de vinis, pôsters de bandas, um frigobar cheio de cerveja e iogurte e baratas gigantescas. Ficávamos compondo, ouvindo discos de metal anos 80, Beatles, Stooges, Sonic Youth, entre outras pérolas em sua discoteca, sem nenhuma preocupação com shows”.
Pacheco / Paulo / Manu / Césinha
A formação da banda Nuts que realmente engrenou era composta por: Paulinho Moratelli (vocal), Pacheco (guitarra), Césinha (baixo) e Manu (bateria). Paulinho Moratelli conta como aconteceu o primeiro encontro dele com a banda Nuts:
“Conheci o Manu nas aulas de Educação Física da UNIUBE, onde eu cursava Psicologia e ele Arquitetura, mas nessa matéria tínhamos aulas juntos. Logo começamos a falar de Rock Pesado, e a amizade foi rápida e natural. Nessa época eu ainda não pensava em cantar numa banda. Ele me botava pilha, dando idéia, mas eu não achava que isso era pra mim. Nessa época o Paulinho Trida (Rosa Negra), amigo de longa data me “encheu a paciência” até eu topar tentar cantar. O Paulinho não queria mais ser vocalista, e estava tocando guitarra. Ele conhecia um baixista (César), mas faltava um batera, e ele me perguntou se eu conhecia alguém que estivesse a fim. Pensei no Manu, já que ele estava parado, sem banda na época. Disse ao Paulinho que ele dificilmente toparia, pois o cara era de outro nível, afinal já tinha gravado com o Sarcófago! Mas mesmo assim, fomos até o apê onde ele morava, e trocamos uma idéia. Pra nossa surpresa, ele topou na hora! Marcamos um ensaio o mais rápido possível, num cômodo na fábrica do pai do César, em frente à saída dos fundos do Colégio Nossa Senhora das Graças, no São Benedito, mas acabamos procurando outro guitarrista.”
Manu no Páginas Vazias 15 conta como a banda Nuts ressurgiu depois da volta dele pra Uberaba depois de morar em Uberlândia:
“Nessa época conheci o Paulo Moratelli que era um típico rocker e namorava uma colega minha do curso de Arquitetura. Grande fã das bandas dos anos 70 como Frank Zappa, Deep Purple e Black Sabbath, dono de uma coleção de vinis gigantesca (a maioria metal, classic e hard rock) e estava interessado em montar uma banda onde seria o vocalista.”
“Quando ele me fez o convite para tocarmos juntos, resolvi chamá-lo pro Nuts, que já era realidade”
Paulinho Moratelli e Manu
A banda Nuts estava formada com Césinha no baixo que já tinha participado com o Manu na primeira fase do projeto Ganga Zumba e para a guitarra Pacheco (ex-Viking) foi o escalado, vindo de Jaboticabal/SP e estava cursando direito na Uniube. Manu e Pacheco se conheceram através do Paulinho Moratelli e descobriram que já se correspondiam desde 7 anos atrás através das bandas Angel Butcher/Viking, sendo assim, tava tudo em casa...
“Seguimos ensaiando, compondo e nos apresentando. O porém é que o César era muito enrolado, desmarcava muitos ensaios, chegava atrasado... Decidimos procurar outro barulhento, digo, baixista. Rsrs.” (Paulinho Moratelli)
Bed Rock (1994)
“Nosso baixista era um cara muito gente fina, mas só queria curtir. Curtiu um pouco e saiu fora sem problemas... Só pra constar, excelente músico e pessoa que hoje em dia mora no Japão (Um salve Césinha!).” (Manu Henriques)
O festival que nunca existiu
O promotor de eventos Sabino José da Silva fez a previsão nessa época que 8250 pessoas iriam ao estádio do Uberabão assistir ao evento “Rock In Concert” que ele estava produzindo com as bandas: Ultraje a Rigor, Biquini Cavadão, Viper, Vertigo e para abrir o evento nada mais nada menos que a banda NUTS. O pior é que nunca aconteceu esse festival e o pessoal da banda Nuts ficou sabendo um dia antes que tudo era furada, vários ônibus vieram no outro dia com público de cidades de fora e mais o público de Uberaba, todos chegavam no estádio do Uberabão e encontravam a faixa dizendo que o evento tinha sido cancelado. A picaretagem com o rock na cidade como podem perceber já é de longa data.
Rock In Concert
Prova da picaretagem, ainda arrumaram um jeito novo de escrever Nuts
Nuts com a formação trio
Pacheco / Paulo / Manu
Nuts
Após a saída de Césinha, a banda ficou ensaiando como trio um tempo e logo Mozart (colega do curso de psicologia do Paulinho) entrou para as 4 cordas completando o time novamente. A primeira demo da banda Nuts foi gravada nessa época (1995) no estúdio Mr. Som em Uberaba e se chamou “Racelifend”.
1995
Primeira Demo: "RACELIFEND"
“O título nada mais era que a junção dos nomes das 3 músicas incluídas na mesma: “Race”, “Modern Life, Idiot Life” e “About the End”, e apesar da qualidade tosca da gravação, todos gostamos dos resultados.” (Manu Henriques)
Manu / Mozart / Paulo
Mozart e Paulinho Moratelli
“Com a entrada do Mozart (ex-Rosa Negra), fechou a formação que eu pessoalmente considero a clássica do Nuts, comigo, Mozart, Manu e Pacheco. Eram quatro caras maduros, que sabiam o que queriam e muito criativos... Essa fase foi também muito conturbada, principalmente entre o Manu e o Mozart, ambos com personalidades muito fortes... (Paulinho Moratelli)
Nuts / Flowers
Troféu do primeiro Rock'n'Street
Essa demo foi uma das demos no início da década de 90 que mais rodavam pela cidade, inclusive foi distribuída pela “Heavy Metal Rock” (Americana/SP), a demo saiu em revistas como a Rock Brigade e zines pelo Brasil afora. A demo saiu em versão compact disc em uma coletânea realizada pelo Denis (Outubro, ex-Vento Livre) que foi batizada de “Colcha de retalhos”. Com essa formação a banda tocou no primeiro “Rock’n’Street” e conseguiu o segundo lugar no mesmo. Logo após essa apresentação o baixista Mozart deixa a banda e cede o lugar para Claudão que na época já era um excelente baixista e era conhecido como o baixista da banda uberabense Flowers.
Catálogo da loja Heavy Metal Rock contendo a demo Racelifend da banda Nuts
Coletânea "Colcha de Retalhos"
Resenha sobre a demo Racelifend na Revista Rock Brigade 114
Claudão / baixo – (Adahun, ex-Flowers, ex-Ganga Zumba, ex-Acidogroove)
Com essa formação tocaram no segundo Rock’n’Street e faturaram o primeiro lugar no festival, essa apresentação se tornou a segunda demo da banda Nuts e foi intitulada de “Live Demo 96”.
Primeiro lugar no segundo Rock'n'Street (banda NUTS)
Bandas vencedoras do segundo Rock'n'Street
“Um dia pra entrar pra história da banda que nos garantiu o primeiro lugar e a Jackson fodona, o Paulo sendo carregado pela galera, pegamos uma platéia insana que agitou do começo ao fim do set.” (Manu Henriques).”
Letra traduzida de "Modern Life, Idiot Life"
Última formação da banda Nuts com a entrada de Edinho "Zacca"
Após essa fase Pacheco terminou o curso de direito e voltou para o interior de Sampa, deixando mais uma vez a banda em situação de mudanças.
Zacca com a banda Nuts
"Pro lugar dele “convocamos” O Edinho (Seu Juvenal, ex-D.O.T., etc rsrsrs...) esse cara era a reencarnação do espírito de Hendrix tocando guita, maluco, criativo e engraçado na dose certa!" (Paulinho Moratelli)
A banda Os Ambulâncias tinha na formação os irmãos Christian e Raphael Franco
Christian (guitarra) e Raphael (baixo) atualmente com a banda Uganga
A nova formação fez sua estréia no Relicário em Araguari, sendo que a banda de abertura no dia foi “Os Ambulâncias”, banda formada pelos irmãos Christian e Raphael Franco que hoje em dia são respectivamente guitarrista e baixista da banda Uganga. Ainda no ano de 96 a banda lançou a demo gravada no estúdio Mr.Som novamente intitulada de “Phassôdahora” e uma novidade, a banda gravou apenas uma música nova e foi com a letra em português com o nome de “Reflexão”, inclusive vou colocá-la pra download, na época essa letra foi uma crítica legal e compensa vocês conhecerem.
Release da banda Nuts 1997
O Início... do fim ! festa na Cave
Com essa demo a banda conseguiu integrar a coletânea do selo paulista “Gold Star Collection” e foram pra São Paulo para o estúdio Anonimato e com a produção de Rildo Batista gravaram duas músicas: “Nuts Meets John Constantine” (uma faixa menor e totalmente instrumental) e “Reflexão” com participação do lendário professor de capoeira “Formiga” mandando um berimbau.
Coletânea do selo paulista Star Music
Manu / Paulinho / Claudão (casa do folclore) 1996
Zacca e Paulinho 1996
Paulinho / Leospa (ex-Ganga Zumba) / Claudão
A banda fez um show em Uberaba na casa do folclore juntamente com a banda Led Zeppelin (Cover / SP) e nesse show Leospa (ex-Ganga Zumba) foi convidado a participar do show já que Manu e Edinho estavam pensando em reativar o projeto Ganga Zumba, Leospa participou de um cover da Rollins Band (“Tearing”).
Show na Casa do Folclore em 1996
Com essa formação participaram da terceira edição do festival Rock’n’Street conseguindo o terceiro lugar, pra quem leu até aqui pode perceber que a banda Nuts participou das 3 edições do festival Rock’n’Street e foi a única a realizar o feito.
Banda Nuts no terceiro Rock'n'Street que foi realizado nos dias 19 e 20 de agosto de 1996
Troféu terceiro lugar no terceiro Rock'n'Street (banda Nuts)
“Essa formação produziu muita coisa, mas durou pouco, pois o desgaste de minha relação com o Manu, e o fato de ele querer incluir mais um vocalista, mudando muito o direcionamento, implodiu a banda... Nesse momento, eu e o Edin saímos da banda, e o Manu e o Claudão seguiram em frente, com outros caras e outro nome, mas essa é outra história...” (Paulinho Moratelli)
O show de despedida da banda Nuts
A banda Nuts estava dando seus últimos suspiros e no dia 12 de setembro de 1997 a banda faz o seu último show na república “Freak Brothers” onde o Manu morava e a festa se chamou: “O Fim da Freak” ???. A banda de abertura foi “Oz Latas” formada por: Léo Brasil - guitarra (ex-Seu Juvenal), Moisés (Moi) – bateria e Ricardo “Nanico” (RIP) - baixo e vocal.
Após esse show a banda se desfez e Manu e Claudão continuaram tocando juntos na banda Ganga Zumba, Edinho ficou na banda Seu Juvenal e também tocou na Ganga Zumba e Paulinho montou a banda Espelho Mágico.
Os integrantes dessa última formação nos deixa depoimentos de como foi tocar na banda NUTS:
Manu atualmente com a banda Uganga
MANU: “Tenho muito orgulho do legado do Nuts, tanto da primeira fase em Araxá (mais thrash metal), quanto dos dias de Uberaba , que a maioria das pessoas conhece. Se você curte rock pesado e viveu no triângulo mineiro nos anos 90 as chances são grandes de ter nos visto ao vivo ao menos uma vez. Vários músicos passaram pelo Nuts durante todo esse tempo, e todos deixaram sua marca além de sua amizade. Acho que o Uganga não estaria onde está hoje, tanto em tempo de estrada quanto em sonoridade, se não tivesse rolado o Nuts antes. O laboratório pro som que fazemos hoje com certeza começou ali.”
Paulo Moratelli atualmente
PAULO: “Tocar no Nuts, pra mim, foi uma honra, foi como tirar a sorte grande! Ter uma experiência como aquela logo na primeira banda em que eu cantava, foi um aprendizado muito grande. Afinal de contas, na primeira formação estavam o Manu, com todo aquele background, já naquela época, de ter gravado um álbum simplesmente seminal pro metal nacional (INRI – Sarcófago) e o Pacheco, de longa história também, tocando em várias bandas. O Manu era o cara que pensava todos os detalhes, do logo da banda ao set list, do visual da banda aos cuidados na divulgação (via cartas, demo-tapes e fanzines, naquela época)... O Pacheco era o cara de mil ideias na hora de compor, fossem letras, passagens instrumentais, solos, efeitos, etc... O Cesinha era super enrolado, mas era um cara muito legal, daqueles que a gente apresenta pra irmã e faz a maior força pra ela namorar... rsrs
Depois passaram outras figuras fantásticas pela banda: Mozart, Claudão, Edin... Mas creio que a formação mais marcante do Nuts foi aquela com o Mozart no lugar do Césinha. Naqueles dias éramos uma banda anárquica porém organizada; ácida porém alegre; séria porém cheia de improvisos; criativa e nem um pouco contida! Nos levávamos muito a sério, acreditávamos em nosso potencial, mas nunca pisamos em ninguém pra cavar nosso espaço! Pelo contrário, estávamos sempre botando pilha na galera das outras bandas pra gente se mexer e, unidos, formar uma cena roqueira em Uberaba... E devo dizer que (nós, as bandas) conseguimos!! Nunca mais toquei numa banda em que todos se envolvessem tanto nos arranjos, nas composições! Beirava o preciosismo, o excesso até... Que falta fez um produtor “grandão” naquela época... Tivéssemos um, quem sabe qual seria o destino daquela banda! Gravamos somente 5 músicas em estúdio, mas tínhamos várias mais prontas, e muitas outras esboçadas, quase todas tenho registradas em fitas K7 guardadas com muito carinho... Do fim da banda, além da grande tristeza, me lembro da minha incredulidade! Não podia acreditar que aquela banda estava chegando ao fim! Ainda mais naqueles dias em que vimos, no Rock’n’Street III, vir uma galera de fora só pra nos ver tocar, galera que era meio que um fã-clube da Nuts, com quem nos correspondíamos por cartas... Mais incrédulo ainda por estar vendo acabar uma banda que estava sendo convidada (!) pra tocar em bares em São Paulo – capital - e não implorando por espaço...
Aqueles foram grandes dias...”
Zacca atualmente com a banda Seu Juvenal
ZACCA: “No Nuts pela primeira vez em minha carreira eu passei a ver a música como um trampo. Os caras tinham uma postura bem mais profissional nos ensaios e shows. Foi também a primeira vez que viajei pra fora de Uberaba pra tocar. Foi um período rápido mas como o Nuts se apresentava muito ao vivo deu pra curtir e aprender muito sobre o ofício de músico. Foi possível criar várias músicas próprias que serviram de base pra primeira demo do Ganga Zumba que depois virou o Uganga. Além de que pude tocar com excelentes músicos .. emfim .. foi muito loco ...”
Claudão atualmente com a banda Adahun que tem na formação meus dois irmãos Adriano e Arthur (ex-Seu Juvenal)
CLAUDÃO: : “Tocar com a Nuts foi um grande prazer. Uma grande farra.”
DISCOGRAFIA :
1995 - demo tape "Racelifend" + CD Coletânea "Colcha de Retalhos"
Fica registrada a postagem de uma das bandas uberabenses que mais correu atrás na década de 90 fazendo músicas autorais, o material da banda é bem extenso e rendeu uma postagem legal na minha opinião podendo contar um pouco sobre a história da banda.
Agradeço o Manu e ao Paulinho Moratelli que colaboraram nessa postagem, VALEU !!!!
Manu (Uganga) e meu filho Henrique na casa do Manu no dia em que desenterramos a banda Nuts