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quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Luciano Bitencourt lança livro em Uberaba






















Hoje em Uberaba Luciano Bitencourt (ex-Kaostrofobia, ex-Seu Juvenal, ex-Os Donátilas Rosário, ex-Larica Existencial) vai lançar seu livro B***** em Uberaba no Biergarten à partir das 20:00 com a realização da Sapólio Rádio Produções. Luciano mais conhecido como "Syd" está morando atualmente em São Paulo e nos concedeu o privilégio desse lançamento aqui na terrinha.

Lançamento B*****, um livro de Luciano 

Bitencourt, um apaixonado pela escrita que

, além de redator, é roteirista e filósofo. O livro

 traz a história de uma depiladora que, em coma 

num leito de hospital, divaga sobre seu trabalho,

 e as diversas histórias que surgem dele.


Certamente digno de boas risadas.

 ainda reúne  a desgustação da cerveja

 artesanal Cervezehn, 

assinada por André Tiso, mestre cervejeiro da 

Biergarten e ainda discotecagem em vinil por

Robinho da Rarus Discos.



Lançamento B*****, um livro de Luciano 


Bitencourt | Discotacagem em Vinil com Robinho

Rarus | Biergarten Cervejas Especiais | 20/12 | 


Entrada franca



Luciano Bitencourt


Mais sobre Luciano Bitencourt aqui no blog;


segunda-feira, 22 de agosto de 2011

rarus discos


r a r u s  d i s c o s


                                  Em 1991 já fazia 1 ano que eu morava em Uberaba e me lembro da falta que as lojas de discos de São Paulo me faziam. Baratos Afins e Woodstock Discos sempre foram minhas prediletas.  Nesse mesmo ano, meu irmão Adriano Tito estudava com o Robson Rocha Pimenta, mais conhecido como Robinho. Ele me falou que o Robinho estava com uma loja na rua João Pinheiro vendendo vinis.

Fui lá conferir e no mesmo dia lembro de ter comprado das mãos dele o vinil duplo do Metallica (Black Album), recém lançado naquele ano, agradeci ele pela primeira vez nessa vida por me conseguir um bom disco. Na sequência ele me ajudou a completar minha coleção de vinil do Deep Purple com um vinil que nem em Sampa eu tava achando, que era o Concerto For Group And Orchestra no Royal Albert Hall de 1969. Com o passar dos anos consegui muitos discos bons e raros na loja do Robinho.






O nome da loja: "rarus discos". Não só eu como todos os roqueiros e apreciadores de música da cidade passaram a frequentar a loja em busca das raridades em vinil e gravações que o Robinho oferecia.



Lateral da Igreja da Matriz, o 2º endereço da rarus discos. Na porta Alice (filha do Robinho)


Eu, como um dos primeiros clientes da loja, quero deixar aqui registrada a importância da rarus discos pros roqueiros e admiradores de música da cidade.

O Robinho, com certeza absoluta, foi o cara que mais aplicou som nos roqueiros uberabenses. Foi também o primeiro a incentivar as bandas de música própria, deixando que as mesmas colocassem seus trabalhos à venda na loja. Na década de 90, também colaborou no patrocínio de muitos dos shows independentes realizados na cidade.

Essa postagem trará boas lembranças a muitas pessoas que frequentaram a loja e também trabalharam por lá. Será minha maior postagem fotográfica até agora, e ainda consegui com meu amigo Robinho uma pequena entrevista sobre seus 12 anos de rarus discos.


desenho: Adriano Tito (1995)_




  Tito: Fala Robinho, beleza? Em primeiro  lugar quero saber quando e qual o artista ou banda  o fez se tornar fã de música? E qual foi o 1º disco que você ouviu inteiro?


Robinho: Então... já começa com um petardo desse? Como eu 
era caçula da família, acabava “obrigado” a escutar os que os
 mais velhos curtiam, minha mãe escutava rádio AM a manhã
inteira e eu pegava tabela na programação, meu pai era da
 velha guarda, Anísio Silva, Ataulfo Alves, Nat King Cole, mas
quase não tinha tempo pra escutar, entre meus 05 e 10 anos, minha irmã era da turma do rock, então ela já tinha Janis Joplin, Led Zeppelin e afins, meus irmãos eram discoteca total (o auge na época), Donna Summer, Village People, Saturdays night, etc...e também já rolava uns lances diferentes com Pink Floyd (dark side), Kraftwerk (radioactivity), que eles “mixavam” os barulhos e ruídos com os sucessos da época. Acho que todos esses exemplos foram influenciadores da minha formação musical.....Agora o primeiro disco.... se servir compacto, foi o do Sergio Reis com “menino da porteira”( passamos na loja de disco, tava tocando, pedi e ganhei), se for LP, me lembro que quando podia ficava horas escutando
 Dilermando Reis – Abismo de Rosas (que considero excelente até hoje). Já dos 10 anos em diante, mudou de história.




Na foto: O 1º CD da banda Troll e o Colcha de Retalhos




Tito: Quais são suas preferências musicais? Sei que você é um cara eclético, dá uma resumida aí pra gente.


Robinho: Rock, Alternativo, Mpb, Jazz, Blues e mais uma porrada de estilos e experimentos que deixem a música com qualidade e criatividade.....até pop!








Tito: Conheci você logo quando mudei pra cá em 1990, quando você estudava com o meu irmão Adriano Tito e lembro que ele em 91 me falou que você tinha uma loja de discos e fui conferir, fico grato até hoje porque você me conseguiu o único vinil que faltava na minha coleção do Deep Purple. Era na rua João Pinheiro, essa foi a primeira loja da rarus discos? Nos conte um pouco sobre esse início.


Robinho: Foi a primeira. Acho que abri a loja em junho ou julho de 1991, e foi uma conjunção de idéias mais ou menos assim, no local (Rua João Pinheiro, 28) funcionava uma loja de aparelhos de som e periféricos usados, que viria ser a Ubersom de hoje, o Vicente era sócio e o Romero trabalhava lá, e nessa época eu morava no alto do morro da onça, ou seja, no quarteirão de cima. Eu já tinha um bom lote de LPs, e propus a ele que  eu daria uma parte do aluguel e deixaria meus discos pra serem vendidos lá....No começo vendeu até bem, mas tudo muito desorganizado e descontrolado....e por esse motivo, foi madurando a ideia de  mudar de endereço agregando ao meus discos, fitas, camisetas, botons, revistas, etc... além de mais 2 sócios: O Marcão pagaria 20% do aluguel e ficaria com  a parte de acessórios e gravações além de ser o funcionário de manhã, e a tarde ficava a irmã dele, a Vanessa, o Fabinho entrava com 40% e teria prioridade sobre aparelhos usados, e eu com os 40% restante trabalhando com discos e camisetas. Me lembro que escrevi na porta quando aluguei o cômodo com “decadry” a data 04-11-91. Aí já era a segunda rarus! Ponto estratégico entre a Catedral e a Cemig! Fiquei neste endereço até 1994, os sócios foram embora , eu continuei bancando aluguel sozinho, pois de 1992 em diante, já tinha um bom público e aumentava meu estoque sempre que podia comprando lotes de discos e buscando encomendas todo mês em sampa. Nessa fase passou por lá o João, o André Cabelo e depois o Paulo bota, que ficou mais tempo trampando lá. Em 1995 ou 1996, não sei bem, o DJ Junão me acordou dando a notícia que passou por lá e viu a porta aberta.....Arrombaram a loja levaram só o de melhor!!!! Por esse motivo, fiquei desmotivado e puto e resolvi entregar o cômodo pra imobiliária, deixando pra trás a primeira parte da existência da rarus! Esse foi o início!





Desenho: Adriano Tito



Tito: Você consegue lembrar com quantos discos começou a loja rarus discos?


Robinho: Com certeza não sei, mas tenho uma vaga ideia que eram entre 300 e 500 LPs que eram meus discos pessoais, e já tinha comprado alguns lotes de usados que já estavam a venda, acredito que não passava dos 700 ou 800 discos.






Tito: Eu sei que muitas pessoas do rock ubera

bense trabalharam na
 loja, você conseguiria  listar desde o início um a um por ordem de chegada?






Robinho: Acho que sim......Cronologicamente 

foram: MARCÃO, VANESSA, JOÃO, ANDRÉ 

CABELO,DÉBORA, PAULO BOTA, 

ADRIANO, PERON, TATIANA, DÉBORA, 

SANDRA, WESLEY, DÉBORA, GUSTAVO e

 alguns free-lancers que cumpriram férias de 

outros ou ficaram de favor uns dias....




Débora 



Peron e Débora



Peron



Tito: Em quais lojas de São Paulo que você achava as relíquias pra trazer pra Uberaba?


Robinho: Na galeira do rock era o ponto forte, entre elas Baratos Afins, Hellion, Devil discos, Velvet underground, London Calling, Aqualung, Ventania, Phono 70,e na Universal (Distribuidora no atacado), mas a cada viagem que fazia, abria mais o leque de contatos nas imediações centrais, e com o passar dos anos fui atrás de lojas em Pinheiros, na Mooca, em Santana, e ainda ia também para Franca , Ribeirão Preto, Campinas, São José do Rio Preto, Uberlândia, etc, etc.....




                                            Robinho "Rarus"



Tito: Você sabe que foi o responsável na aplicação de muitas bandas undergrounds pra época  e fez com que bandas como Mutantes, T.Rex, Pixies, Sonic Youth e tantas outras se tornassem obrigatórias na coleção dos rockeiros uberabenses. Como você vê essa disseminação que fez, comercializando todos os estilos de rock na mesma loja, tendo também todo tipo de música nas prateleiras?




Robinho: Hoje em dia me sinto gratificado, satisfeito e realizado por ter tido essa importância a que você se refere! Mas na época, em pleno funcionamento era tudo natural, eu era uma cara hiperativo, com boas idéias e doido pra ganhar dinheiro, que viu nessa lacuna (o bom e velho rock n roll), um modo de colocar a cidade antenada com o que não era sucesso! Uma loja “alternativa”! Mas venho também admitir que o entusiasmo e a esperança de continuar e crescer vinha em boa parte dos próprios clientes, que satisfeitos e querendo mais, me faziam (mesmo sem querer) dar continuidade aos projetos....









Robinho e seus caixotes de vinis



Tito: Hoje sentimos falta na cidade de uma loja especializada em música como era a rarus. Você acha que a internet foi decisiva para o fechamento de várias lojas de discos pelo Brasil afora? Eu particularmente como faço coleção de coisas relacionadas a música sinto falta de uma loja como a sua.


Robinho: Acho que a internet tem parcela de culpa sim, mas o vilão mor foi a tecnologia, que deu margem pra pirataria, que é outra parcela de culpa, mas acredito (em termos), que a tecnologia conseguiu fazer com que a música deixasse de ser arte, hoobie, satisfação, prazer para se tornar somente “entretenimento”, hoje para quem tem 15, 18, 20 anos, a música é quase “descartável”, conheceu, ouviu, guardou, esqueceu!








Tito: Quantas fitas K7 você gravava por mês na loja? 


Robinho: Porr.....quantidade é impensável, era quantas o tempo desse, o tempo inteiro que dava, tava gravando, acho que 3 ou 4 por dia é uma média imaginável, mas não tenho certeza se é isso!









Tito: Muitos dos rockeiros em Uberaba se conheceram na rarus, você também ajudou no patrocínio de  praticamente todos os shows e festivais de rock dos anos 90 na cidade.Você concorda que em Uberaba temos muitos músicos e bandas com grande talento musical e criatividade?



Robinho: Com certeza absoluta, e para todos os gostos, acho que o sempre faltou e ainda é lenda é o PÚBLICO, que sempre foi restrito, minoria. Mas independente disso a cena existe, respira e não morre, mesmo com mudança no perfil dos roqueiros, vejo na “molecada” a mesma vontade que a gente tinha de fazer a diferença, remar contra a maré e ainda por cima, adorar isso!






Robson Rocha Pimenta




Tito: Robinho, a rarus mudou de endereço várias vezes, e onde ela se instalasse os seguidores continuavam a saga e isso não comprometia no movimento. Você pode nos contar qual foi o endereço da loja que mais curtiu desde a montagem até o público?



Robinho:a A última ( Rua São Sebastião) entre 1998 – 2003 foi a única que eu “consegui” curtir, pois já tinha uma estrutura que me proporcionava fazer as coisas mais devagar , sem correria o tempo todo,e também porque lá foi o melhor lugar que já morei em toda minha vida, aquela casa era simplesmente demais!!!!




Jornal de Uberaba, 02/07/1996



Tito: Por que você decidiu fechar a loja, já que sempre teve o seu trabalho paralelamente ? E qual foi o tempo de funcionamento da mesma?


Robinho: Quando foi para a São Sebastião, já tinha consciência do que viria a se tornar o mercado de comércio de música....e paralelamente a isso tinha meus doze anos de 02 empregos, que estavam me deixando meio “paranoico”, nervoso e sem graça, adicionando a isso o fato de que indiretamente me tornei um marido e um pai “ausente” em casa, somando com lucro baixo e diminuindo a cada mês, resolvi dar um basta e encerrar a missão. Entre a minha decisão de encerrar as atividades e o encerramento de fato, foram mais ou manos uns 5 meses.....fiz tudo certinho e devagar sem dever ninguém. Mas depois que fechei ainda rolou uma “sub-rarus” na garagem  da minha casa, mas isso é outra história.O  funcionamento de fato se deu de  ? / 07 / 91  A   31 / 07 / 03   =  12 anos!
















Tito: Do que sente mais saudades quando trabalhava com música?



Robinho: DAS PESSOAS QUE CONHECI E DO PRAZER EM OUVIR UM SOM QUE ME AGRADE












Tito: Nós, apreciadores da boa música e principalmente os rockeiros uberabenses sempre nos sentiremos gratos pela existência da loja Rarus, creio que as bandas independentes que tiveram seus trabalhos expostos na loja se sentem assim também. Deixe uma mensagem pra todos e agradeço desde já pela entrevista. Valeu!!!



Robinho: Bom......Fico satisfeitíssimo quando encontro alguém por aí comentando sobre a loja, pedindo para reabrir, relembrando bons momentos e dando risada! Gostaria de agradecer a todas as pessoas que de uma maneira ou de outra contribuiram para que um pequeno espaço comercial alternativo pudesse virar referência de rock na terra do zebu! Um abração forte pra toda galera que ler essa entrevista e relembrar um pouquinho do meu sonho-de-maluco que foi realizado com muita batalha, dedicação, paciência e prazer! 

E UM ABRAÇO ESPECIAL A TODOS QUE NÃO REENCONTREI DEPOIS DO ENCERRAMENTO DAS ATIVIDADES.









Tito: Para fechar com chave de ouro, manda pra gente uma lista dos dez + da rarus!

Robinho: UMA OBSERVAÇÃO ANTES DA LISTA.......A VALIDADE DESTA LISTA PRESCREVE EM CINCO DIAS, POIS SOU UMA PESSOA AVESSA A PADRÕES. PORTANTO SE PRECISASSE FAZER UMA NOVA LISTA SEMANA QUE VEM COM CERTEZA TERIA OUTROS TÍTULOS.....

01. LOVE – FOREVER CHANGES
02. CANNED HEAT – LIVING THE BLUES
03. VELVET UNDERGROUND – VELVET UNDERGROUND
04. SIVUCA – LIVE AT VILLAGE GATE
05. JOHN MAYALL – MEMORIES
06. STIFF LITTLE FINGERS – NOBODYS HERO
07. ZÉ RAMALHO – ACÚSTICO
08. MUTANTES – OS MUTANTES
09. ISAAC HAYES – CHOCOLATE SHIPS
10. OPERATION IVY – ENERGY
FALOW!









Quero agradecer ao Robinho pela colaboração, valeu !!!






















domingo, 12 de junho de 2011

Seu Juvenal fará show no 3º Ponte Nova Rock

3º Ponte Nova Rock



                            A última vez que a banda Seu Juvenal subiu no palco foi no IV Novas Tendências em 19/12/2010 na cidade de Uberaba. Depois desse show decidimos focar nas músicas novas que farão parte do nosso 3º disco e tiramos digamos assim, 6 longos meses de "férias". 






Seu Juvenal no IV Novas Tendências (participação Robinho Rarus)





                                   Recebemos o convite da Kelmer Music http://kelmermusic.blogspot.com/ pra tocarmos no evento que tem por objetivo movimentar a cena Rock n Roll da cidade, divulgando o trabalho das bandas do gênero. A organização do evento é de responsabilidade da Kelmer Music Produções representada pelo musico Samuel Faria. 


Eu estou preparando o material sobre a 2ª formação da banda Seu Juvenal relacionada ao ano de 1997 e será a próxima postagem. Publiquei um video nosso de 1997 no encontro do Movimento da Geração Desemboque tocando a música "Filhos da Putrefação", o Zacca nosso guitarrista deixa suas palavras sobre o video e nossa expectativa sobre o show que terá um repertório longo (1:30) que abrange os dois primeiros discos e 2 músicas novas:

Filhos da Putrefação é uma música que a gente toca até hoje praticamente sem mudar nada (tirando o estilo de cantar na semitonagem dissonante Hilderiana). Dia 18 agora tocaremos em Ponte Nova num evento em praça pública e o organizador pediu 1 hora e meia de Seu Juvenal!! Vamos tocar sons de todas as épocas (inclusive Filhos da Putrefação) e de todos os compositores que passaram pela banda. Vai ter Sid, Hilder, Juliano, Arthur, Leo Brasilero e Paulista (me desculpem se esqueci alguém) sendo representados com composições de todas as epocas da banda. E vai rolar duas novíssimas que acabaram de sair do forno!! Como dizia Hildão "Seu Juvenal não para Seu Juvenal dispara" kkkk. Let´s Rock!!


         Colagem feita pelo Bruno (vocalista Seu Juvenal)








terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Podres de Utopia / Kaostrofobia / Luciano Bitencourt

 
Luciano Bitencourt em 1996




                                 Redator publicitário, formado em Jornalismo, especializado em Filosofia. São Paulo, Brasil. Ex-integrante das bandas uberabenses Podres de Utopia / Kaostrofobia / Os Donátilas Rosário / Larica Existencial / Seu Juvenal. Sid como é  conhecido, foi um dos primeiros integrantes do movimento punk uberabense e colaborou como compositor em todas essas cinco bandas.


                                 Deixo vocês com as palavras de Luciano que elaborou um texto com um conteúdo que na minha visão é de grande importância pra história do rock uberabense, eu conheci o Sid na Rarus Discos no início da década de 90, e o papo foi de Tom Zé a D.R.I., em 96 ele colava nos ensaios dos Neurônios no gueto do Clóvis/Cabelo/Camaleão e a gente trombava naquela época do mangue beat, rolou o lance do Movimento da Geração Desemboque junto com a banda Seu Juvenal, enfim, tamo em casa e ele caprichou como colaborador nessa postagem pra vocês:






                                                            Podres de Utopia





                                   "Antes dos anos de 1990, até aonde me lembro, o rock em Uberaba podia ser dividido da seguinte maneira: as bandas pops (com integrantes que tocavam em outras bandas, geralmente voltadas para bailes), os grupos de hard rock e/ou heavy metal (assim como já foi publicado aqui no blog), e uma ou outra iniciativa que surgia e morria sem maior expressão.



                                 Em 1987, três anos aproximadamente depois de retornar à morar em Uberaba, aconteceu um show com várias bandas, num palco improvisado na carroceria de um Mercedão (1113). A estrutura foi montada na avenida Leopoldino de Oliveira, nas proximidades do Shopping Generoso Lenza – dali em diante, era quase tudo terra e mato. Duas bandas foram marcantes: a do vocalista Cabecinha (uma figura muito popular em Uberaba que veio sofrer problemas mais tarde com drogas [há notícia de que reabilitou-se]), que tocou Camisa de Vênus; e uma banda feminina, cuja guitarrista era a Ana Paula Dantas, que hoje trabalha na ABCZ. As garotas tocaram muita coisa boa, inclusive, um cover do The Cure. 



                                     Naquele dia, aos mal-completados 12 anos, voltei para casa decidido a montar uma banda de rock. Estudante do Colégio Nossa Senhora das Graças, estava no mesmo lugar que o Robson Pimenta (Rarus Discos) e o Paulinho Trida, o Gé (DCV) passou por lá, o Alex (filho do radialista João Batista) também, entre outros. Havia uma turma no Colégio que era muito antenada na cultura dos Anos 80 e do rock'n'roll em geral. Era um tempo em que a galera calçava tênis Redley ou All Star, vestia calça jeans furada no joelho e camiseta Hering com estampa de banda, lia a revista Chiclete Com Banana e fazia altas festas. O Robson Pimenta organizou toda essa gente e montou uma turma (o que era moda na época): a Vírus 27.


                                Pode até parecer estranho, um grupo de moleques do Colégio com o nome de uma banda de carecas, mas, em 1987, ainda não havia diferenciação quanto a esses detalhes dos movimentos, ou seja: isso é punk, aquilo é skinhead. Tudo era considerado uma coisa só. A garotada chamava tudo “punk”. E, na verdade, era tudo diversão, não havia qualquer engajamento no sentido político. Essa turma realizou festas, viajou para shows em outras cidades, enfim, “quebrou o pau”. Nossa identificação era uma camiseta com o “A” de anarquia no peito e a capa do disco “Parasitas Obrigatórios” nas costas. O Robson é quem cuidava da impressão e distribuição do “uniforme”. Em um show do Titãs, em Uberlândia, o primeiro no interior com a turnê “Jesus não dentes no país dos banguelas”, uma ida ao banheiro quase custou o xadrez para esse que vos escreve. Eu usava uma corrente com cadeado no pescoço, à la Sid Vicious. Tomei um pescoção dos policiais e, graças à Deus, estava com a chave do cadeado no bolso, se não tinha me fodido.


                              Nessa “vibe” aparecem o Lukão e o Misac. O Guilherme Diamantino já era muito amigo do Robson; o Léo Punk – que tinha cara de mau e era encrenqueiro pra cacete! – não se enturmou de primeira. O Lukão e o Misac eram os punks “Tropa Suicida”; o Guilherme, o punk “The Clash”; e o Léo, o punk “The Cramps”.


Guilherme Diamantino (DCV)



                            Falar de mim é complicado, mas, somado a tudo isso, eu trouxe influências de sons como Kraftwerk, Gueto, Devo, PIL, Villa-Lobos, Peter Tosh etc., que eram artistas que eu já escutava (muitos deles com a turma Vírus 27).



                          Tudo isso, a ida ao show na Leopoldino e, depois, ao Titãs, aconteceu num curto espaço de tempo. Na virada de 1987 para 1988, acontece uma conversa com o Misac (guitarra) e o Gé (bateria) e, no ano seguinte, os primeiros ensaios do Podres de Utopia, que durou uns seis meses. O grupo não contava com baixista e o Misac lutou durante esse tempo todo contra um pedal wah-wah.


                         O repertório do Podres de Utopia, que acrescentou “Podres” depois que ficou sabendo que uma banda em São Paulo chamava-se Utopia (a primeira banda do Mamonas, será?), era formado por apenas duas composições próprias, dois covers do Garotos Podres (Johnny e Vou Fazer Cocô), um do Espermogramix (Trabalhadores Brasileiros) e outro do Trashman (Surfin' Bird). Os ensaios aconteciam no cômodo da casa do Gé onde funcionava a boutique da mãe dele. Tínhamos um fã que testemunhou quase todos os ensaios: o Pedro Binuto.



                           Eu e o Misac éramos loucos por uma apresentação, o que nunca aconteceu, pois o Gé sempre arrumava uma desculpa para não tocar (fez bem, a banda era muito ruim, seria uma vergonha mesmo!). Em seguida, ele deixou a bateria definitivamente e a banda acabou.

Notas:

1 – O Misac descia à pé e com a guitarra nas mãos do bairro Santa Marta até a minha casa, no Mercês. Aí atravessávamos a cidade, também à pé, até o jardim Induberaba, onde o Gé morava.

2 – As primeiras caixas de som que utilizamos foram emprestadas pelo Claudão (ex-Nuts, Acidogroove...), que era muito amigo do Gé; e outra coisa interessante foi o projeto que o Guilherme me chamou pra fazer: Barulhos Dilacerantes. Selecionamos mais de uma dezenas de músicas punks e transformamos tudo em grindcore, gritando apenas o nome da música ou a frase principal da letra e tocando a música em 3 ou 4 segundos. Ficou um na batera e outro na guitarra e vocal."

Discografia Básica:

1 – Never Mind the Bollocks (Sex Pistols)
2 – Rocket to Russia (Ramones)
3 – London Calling (The Clash)
4 – Guilty (Vibrators)
5 – Standing on the Beach / The Singles (The Cure)
6 – Histórias de Sexo e Violência (Replicantes)
7 – Vítimas do Milagre (Detrito Federal)
8 – Mais Podres do que Nunca (Garotos Podres)
9 – Parasitas Obrigatórios (Vírus 27)
10 – Nós Vamos Invadir sua Praia (Ultraje a Rigor) 




Luciano Bitencourt com a banda Kaostrofobia




                                                                    Kaostrofobia




                                      "No final de 1988, surge então a Kaostrofobia, com o Lukão na bateria. Mais uma vez sem baixista, é claro. Pois bem, a história da Kaostrofobia o Tito já publicou aqui. E se tem uma coisa que pode ser reforçado em relação a essa banda é que esse foi certamente o período mais intenso (e transtornado) da  vida de seus principais integrantes. Talvez pela época, um momento tomado por aquela ferrenha crise econômica e política que desestabilizou e arruinou o dia a dia de muita gente. De uma forma ou de outra, esse quadro refletiu bastante naquela geração de adolescentes. Não é à toa que o lema da garotada era o “No Future”.


                                 A Kaostrofobia foi uma banda casca-grossa, que fez diversas inimizades, arrumou briga e acabou com muita festa. Era o verdadeiro terrorismo anti-musical. Pode-se dizer que éramos um Crust Experimental, porque misturávamos tudo o que podíamos com o extremo hardcore. A idéia era ser o mais barulhento e nervoso possível. A razão de existir enquanto grupo era ser uma banda punk detestada pelos próprios punks, em razão de ser punk demais. Com isso, os primeiros a torcer o nariz foi a turma do “Sex Pistols e Ramones”. Tais bandas eram consideradas comerciais por serem aceitas em qualquer meio. Ou seja, tinha muito playboy que era fã desses punk rocks. Quando eles iam assistir a Kaostrofobia pensando ouvir “Anarchy in the UK”– e toda vez anunciávamos essa música, sem nunca tocá-la –, chegavam lá e, em poucos minutos, davam meia-volta.



                              Depois foi a vez da turma do grindcore, que se identificou com o som. Aí, para provocar, em 1989, a Kaostrofobia começou a defender de forma escancarada o uso de substâncias ilícitas – coisa que eles eram totalmente contrários. No meio dos shows, os integrantes pintavam e bordavam no palco. E não ficava por aí. Essa turma levava o “visual” muito à sério, por isso a banda se vestia num estilo composto por chinelos ou botinas, bermuda de surf e camiseta de bandas hardcore. Às vezes, rolava também um chapéu de palha e um terno pra ficar bem brega mesmo.

                                    A coisa foi tomando um rumo que o Misac um belo dia gravou vários minutos de uma folia de reis. O tempo, uns 14 ou 15 minutos, era exatamente o que durava uma apresentação. Então, nos shows, a Kaostrofobia colocava a fita de background (com o som na mesma altura dos instrumentos). Tocavam o noisecore por cima, mas como as músicas tinham de 5 a 10 segundos, os intervalos eram constantes, bem como a folia de reis comendo solta, onde a banda parava somente pra polemizar novamente. O show da Kaostrofobia era um dos barulhos mais insuportáveis que existia. Os técnicos de som da época se recusavam a ligar a aparelhagem quando nos viam subindo ao palco. Ninguém aguentava também a fumaça.


                               Em 1992, eu vou embora para São Paulo, continuo compondo sons, ideias e ações, tocando em nossos encontros, mas a banda foi perdendo fôlego. Volto para Uberaba em 1994, retomo a Kaostrofobia com o John, hoje advogado na Bahia, na bateria, e o Sandrinho da Capitinga novamente no baixo. Foi uma das melhores fases “técnicas” da banda, pois pela primeira vez foi possível realmente ouvir os sons de verdade, entender o que a banda fazia (ou “não toacava”), pois o John e o Sandro “levavam” as músicas perfeitamente. Isso durou pouco, logo o Lukão voltou para as baquetas, eu fui para o baixo e vocal, e a parafernália ressuscita-se com todo aquele espírito anárquico. Acontece que nesse meio tempo os metaleiros do “Iron” tinham virado death metal, os death metal/grind tinham virado skinheads e os skinheads, assim como os outros movimentos, queriam nos socar. Viramos alvo. Tudo perdeu a graça, ficou sério demais, e a banda acabou.

                              A Kaostrofobia foi uma banda punk muito fora de seu tempo. Tem uma banda norte-americana atual que lembra muito aquele espírito, chama-se Lightning Bolt. Na fase final da Kaostrofobia, em 1994, as letras eram longas e a banda reescrevia tudo transformando três palavras numa frase e depois construindo uma frase com essas novas palavras. Assim, as letras ficavam curtas e, se ninguém entendia nada com as palavras normais, com essas reconstruções...

                     Gravamos duas demos no esquema gravador com um canal aberto para todos os instrumentos. A primeira – com 15 músicas aproximadamente – tinha pouco mais de 3 minutos e a segunda – com cerca de 30 sons – quase 7 minutos e chamava-se “Música Para Quem Não Gosta de Música”. Contudo, quando a banda acabou, muita composição nova ficou na gaveta.

                            Eu deixei o grupo em 1994, depois da última apresentação na antiga U.E.U. Na verdade, eu sempre curti o hardcore crust, mas eu estava compondo sons que não tinham muito a ver com essa sonoridade e queira explorar essas novas músicas."



Notas:


1 – A foto aqui no blog no protesto do 7 de setembro é uma das tantas ações que fazíamos. Nós tínhamos uma agenda, com o 6 de agosto (Bomba de Hiroshima), 3 de outubro (Eleições) e outros.

Lukão, Luciano, John, Peron, Misac


2 – Numa época que não havia internet, o forte eram as correspondências. Eu era o responsável por  comunicar com outras bandas e canais, e o fazia através de cartas, reutilizando selos e enviando o rolo de fita cassete desmontado para não pagar “carta registrada”. Tínhamos contatos no Brasil e no exterior.

3 – Nosso maior parceiro foi um amigo chamado Júnior e que trabalhou na Biblos, uma loja de cópias e antigo sebo, que funcionava na esquina da rua Vigário Silva. Todos os xerox de panfletos, cartazes, fanzines, layouts, tudo, era feito lá.

Discografia Básica:

1 – Black God (Terveet Kadet)
2 – The Vikings Are Coming (Coletânea)
3 – Vaterland (Vorkrigsjugend)
4 – Dirty Rotten Imbeciles (D.R.I.)
5 – Let's Start a War (Exploited)
6 – Ataque Sonoro (Coletânea)
7 – Crucificados Pelo Sistema (Ratos de Porão)
8 – Botas, Fuzis e Capacetes (Olho Seco)
9 – Tropa Suicida/Kaos 64 (Split)
10 – Convulsões e Distúrbios da Consciência (Atack Epíléptico)




                                      As bandas Os Donátilas Rosário e Larica Existencial terão suas postagens aqui no blog e Luciano voltará a falar sobre essas bandas, como eu já disse aqui vi um show da banda Kaostrofobia logo quando cheguei em Uberaba e foi um dos shows mais punks que já vi na vida, o Manu (Uganga) no fanzine Páginas Vazias também relata um show deles no lendário Circo do Povo que ficou pra história, e agora nas palavras do próprio Sid, a gente conheceu um pouco mais dessa que foi a banda mais punk e escrota que já tivemos por aqui na minha opinião.




                                        Segue um video da banda Os Donátilas Rosário sem o Renato (Seu Juvenal) na batera, com o Manu (Uganga) nas baquetas, tocando a música "Dora Doida" na Bat Cave no ano de 1995. Os demais integrantes na banda constando no video são: Zacca (guitarra) / Hilder (vocal) e Luciano "Sid" (baixo)









                                          Nesse meio tempo, rolou as eleições e saí candidato a vereador. Acontece que aos 18/19 anos eu fui trabalhar como repórter do Jornal de Uberaba e, apesar de estudar Jornalismo, eu não tinha a mínima noção do que era isso na prática. Numa conversa com um amigo, ele me disse que seria muito importante que eu tivesse um partido, pois uma vez posicionado politicamente eu teria uma identidade e conseguiria “fontes”. O tempo foi passando e não tive vontade alguma de me filiar a qualquer partido, no entanto meu amigo tinha razão: eu não conseguia arrumar as tais “fontes”.

                                          Então, decidi entrar no partido que eu considerava o “menos pior” e assim filiei-me ao Partido Socialista Brasileiro (PSB). É engraçado porque, depois disso, fiquei reconhecido como uma pessoa de “esquerda” e, então, arrumei um monte de “fontes” e pude finalmente trabalhar em paz como repórter. Contudo, eu não contava que um dia o advogado Túlio Reis, outrora o Túlio do PT, fosse sair candidato a prefeito numa disputa entre PFL, PMDB e o PT, em 1996. Mas ele saiu candidato e a tal coligação contemplava o PSB, pois o vice do Túlio era o também advogado Hélio Borges.

                                     Pois bem, com o Hélio, que era do PSB, de vice abriram-se cerca de 40 vagas para candidatos a vereador pelo partido. O curioso é que o partido tinha apenas dois filiados “atuantes” na época: o Hélio e eu. Sendo assim, tive que assumir a candidatura para que não houvesse uma brecha como essa durante a campanha.

                                       Meu número era 40.633. Os três primeiros eram básicos para todos os candidatos do partido, então os dois últimos eram os mais trabalhados. Caramba, sendo eles o “33”, não deu outra mandei o slogan “40.633, a Salvação!”. Naquele momento, as igrejas evangélicas cresciam absurdamente no Brasil e por isso utilizei a expressão. Na foto para o santinho, eu penteei o cabelo todo para trás e fechei os botões da camisa até o pescoço. Enfim, todo mundo me conhecia, era um repórter popular na cidade e ficou totalmente caracterizada a minha crítica (à política, e não à religião em si). Hilário era conversar com as pessoas que me abordavam na rua para pedir coisas. Com o horário eleitoral na tv, isso virou um inferno.

                                     Aliás, o que um anarquista faz quando se candidata? Orienta todo mundo a votar nulo, é lógico! Foi isso que eu fiz, mas ainda consegui quase 100 votos. 






Aê Sid toda vez que vejo esse panfleto lembro do Cabelo (RIP) "ex vocalista do Seu Juvenal" no muquifo do Satanás zuando com esse panfleto no microondas, você lembra disso?




1996 da esq. pra dir.: Luciano Bitencourt / Douglas Camaleão / Emanuelle / Ernesto "Cabelo" (RIP) / Flávia / Edinho "Zacca" / Adriano Tito / Tito / Juliano (RIP)







                                              A minha história com as bandas de rock em Uberaba acaba em 1997. Eu tive um dilema: ou seguia de maneira séria o caminho da música, aprendendo a tocar e me profissionalizando, ou tomava outros rumos. Adotei a segunda opção. Na época, eu estava muito chateado com os amigos de bandas de uma forma em geral. Eu acreditava que podíamos ir além, ocupar espaço nos grandes centros ou em outras cenas independentes, lançar singles, cds ou lps, porque tudo dependia de maior organização. Sempre correspondi com gente de outras cidades e países, sempre buscava novidade em outros meios, enfim, eu fazia de tudo para que a cena independente ou alternativa de Uberaba acontecesse. Naquele momento, eu senti uma certa ingratidão dos amigos, pois o simples lançamento de um single com três músicas, por exemplo, era algo que não conseguíamos realizar. Qualquer ação era motivo para quebra-pau. Lógico, tudo era efeito da idade e não passou de uma paranoia besta mesmo.



                                        O problema é que eu tinha uma opinião diferente também em relação a diversas bandas com essa história de cobrar para tocar. Sendo desconhecidos, nós tínhamos mais era que bancar as viagens e aproveitar qualquer buraco que surgisse. Outro ponto que eu não engolia de jeito nenhum era essa competição infantil entre as bandas de Uberaba, essa coisa de se considerar “a melhor” banda da cidade. Tudo isso – necessidade de se profissionalizar, falta de maturidade da galera e desavenças ideológicas – me levou a desencanar do rock'n'roll, apesar de ter ainda me arriscado, com o Léo Punk, na área de promoção ao organizar a primeira apresentação do Mundo Livre S/A, em Uberaba. 


                                     No entanto, o curioso é que em 1997, dez anos depois de assistir àquela apresentação no Mercedão, na Leopoldino de Oliveira, eu concluí que, muito melhor do que tocar ou promover bandas, bom mesmo era simplesmente assisti-las.

                                                           






                                                         Considerações Finais




                          Hoje, quando navego no blog do Tito, da Letícia e de tantos outros, fico impressionado com tanta coisa rolando. Sem saudosismo, já sendo, mesmo com toda a problemática que as bandas enfrentam hoje em dia, isso tudo não é a metade do que vivenciamos em décadas passadas. Uma época em que equipamento era muito caro, espaço para tocar não existia, apresentações se resumiam em público de no máximo 15 pessoas, estúdios não gravavam bandas de “rock pesado”, enfim, era a lama total. Não bastasse, como já relatado aqui, haviam tretas entre os amigos e com gente de fora. Isso sem falar no preconceito com o tal “roqueiro”.


                                       Atualmente, no que diz respeito à internet, por exemplo, considero ser dispensável emitir qualquer opinião. MySpace, LastFm, Facebook e tantos outros recursos, as ferramentas para divulgação, contato e comercialização, são inúmeras.


                                             Com relação à minha trilha sonora, ao olhar para trás, tenho que admitir: o Replicantes foi uma das maiores influências que tive. Na verdade, grande parte do que cheguei a compor foi um cruzamento de Replicantes com outro som (muitas vezes, Itamar Assumpção). O problema era a qualidade dos nossos equipamentos que não permitiam um som melhor produzido nos ensaios.


                                                   Quanto às bandas atuais de Uberaba, tirando os véio (DCV, Uganga, Ácidogroove, Seu Juvenal, AIP e outros), eu conheço muito pouco, mas entre os novos que tenho visto existem muitos legais como o Nekrotério. Vale ressaltar, porém, que um grupo que tem realmente chamado muito a minha atenção é o Elma (mezzo Uberaba, mezzo SP). Eles fazem um som muito original, pesado e diferente. Sempre acompanho as apresentações deles.


                                                   Por fim, eu gostaria de ressaltar que, hoje, 14 anos depois do último acorde, eu acredito ter seguido o caminho certo, pois não teria me dedicado ao rock a exemplo de pessoas como o Edinho, Renato (Two Zaccas) e o Gé, por exemplo, outrora vítimas dos meus desalentos musicais e atualmente grandes amigos. No entanto, um fato é notório: aqui na minha casa a agulha ainda rasga o sulco do vinil! “Chernobyl não foi suficiente...” E ponto.



Luciano, um emaranhado de informações

                                  Quero agradecer ao meu amigo e ex-companheiro na banda Seu Juvenal pelas palavras aqui cedidas e dizer que foi uma honra revê-lo mesmo que rapidamente no favela dia 30/12/2010. Fiquem com a banda Seu Juvenal tocando a música "Bob Robert's", (composição de Luciano Bitencourt), na praia do Jarbinhas em 1999.